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domingo, 14 de agosto de 2011

Pode entrar.

Sabe, gostaria de dizer algo pra você que está entrando. Dizer como são e como eram as coisas aqui dentro. Dizer o quanto já aprontaram nesse lugar que você está limpando, organizando. Dizer que há um tempo atrás era eu quem fazia essa "limpeza", mas sempre vinha alguém e destruía tudo novamente, então eu desisti. Dizer que as paredes dessa casa, há um tempo atrás, não eram coloridas. Não, não, era tudo preto e branco. E esse clima ameno que você está encontrando aí dentro, nem sempre foi assim, era um frio desgraçado, de congelar qualquer alma e coração.
Mas você é tão organizado, limpa essa "casa" de uma maneira surpreendente. Põe as devidas coisas nos lugares certos e joga fora tudo que não serve, não presta, tudo que já foi e não volta mais. Abriu as janelas que há muito estavam fechadas, clareando (e aquecendo), ventilando tudo por dentro. Fique mais, demore o quanto quiser, faça morada nesse lugar, não sei, mas não vá embora. Porque não sei como ficariam as coisas com a sua partida, não sei por quanto tempo ficaria tudo em ordem (se é que ficaria). Então entre, sinta-se em casa. Vem, dorme aqui, lá dentro tem uma cama pra você, lá nós podemos dormir abraçados, agarrados, olhando um para o outro, conversando. Acordar com teu 'bom dia', ir me deitar com teu 'boa noite', receber teus beijos e carinhos pra curar todas essas feridas que ficaram. Receber você. Pode entrar, a casa é sua.
(Lucas de Oliveira Rodrigues)

sábado, 13 de agosto de 2011

Fugi.

Depois de tudo que me aconteceu, depois de todo aquele sofrimento, eu decidi fugir. Fugi pra um lugar bem longe, longe de toda àquela negatividade que me fazia mal, longe de tudo e de todos. Precisei mudar. Precisei crescer. Precisei amadurecer. E amadureci.
Precisei esconder quem eu realmente sou. Me escondia de tudo, não queria nenhum vestígio daquela pessoa que eu era. Se era certo, se era errado.. bom, isso não importava. Somente estava cansado de todos os tapas, socos e bofetadas que a vida me dava. Confesso que no início foi péssimo, mas depois a gente acostuma. Acostumei.
E agora, depois de todas as mudanças, depois de uma análise geral sobre tudo aquilo que eu era, depois de todas as lágrimas derramadas para poder esvaziar aquele oceano represado, decidi voltar.
No início tive medo. Medo de não conseguir. Medo de voltar a ser como era antes. Mas peguei aquele medo, olhei bem nos olhos dele e disse "não, não, você não vai conseguir; some daqui", respirei fundo e retornei.
O que acontecerá daqui pra frente? O que será que a vida vai aprontar comigo daqui pra frente? Bom, disso eu não sei e nem estou a fim de saber. Mas tenho certeza de uma coisa: estou mais forte, sem medo. Vou apenas esperar e deixar o tempo passar. Afinal, é o tempo que nos diz exatamente tudo.

(Lucas de Oliveira Rodrigues)