Sabe, gostaria de dizer algo pra você que está entrando. Dizer como são e como eram as coisas aqui dentro. Dizer o quanto já aprontaram nesse lugar que você está limpando, organizando. Dizer que há um tempo atrás era eu quem fazia essa "limpeza", mas sempre vinha alguém e destruía tudo novamente, então eu desisti. Dizer que as paredes dessa casa, há um tempo atrás, não eram coloridas. Não, não, era tudo preto e branco. E esse clima ameno que você está encontrando aí dentro, nem sempre foi assim, era um frio desgraçado, de congelar qualquer alma e coração.
Mas você é tão organizado, limpa essa "casa" de uma maneira surpreendente. Põe as devidas coisas nos lugares certos e joga fora tudo que não serve, não presta, tudo que já foi e não volta mais. Abriu as janelas que há muito estavam fechadas, clareando (e aquecendo), ventilando tudo por dentro. Fique mais, demore o quanto quiser, faça morada nesse lugar, não sei, mas não vá embora. Porque não sei como ficariam as coisas com a sua partida, não sei por quanto tempo ficaria tudo em ordem (se é que ficaria). Então entre, sinta-se em casa. Vem, dorme aqui, lá dentro tem uma cama pra você, lá nós podemos dormir abraçados, agarrados, olhando um para o outro, conversando. Acordar com teu 'bom dia', ir me deitar com teu 'boa noite', receber teus beijos e carinhos pra curar todas essas feridas que ficaram. Receber você. Pode entrar, a casa é sua.
(Lucas de Oliveira Rodrigues)
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